Violência digital: panorama alarmante no Brasil em 2025


Pela primeira vez, a pesquisa nacional sobre violência contra a mulher aferiu com profundidade o que há de mais: o sofrimento no ambiente digital. Resultado: 8,8 milhões de mulheres — cerca de 10% da população feminina adulta — relataram agressões mediadas por tecnologia nos últimos 12 meses.

Contexto e o que mudou

Historicamente, as estatísticas sobre violência contra a mulher focaram em agressões físicas, sexuais e psicológicas no mundo “offline”. A 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher amplia o escopo para o ambiente digital — incluindo assédio por mensagens, invasão de dispositivos, divulgação de mentiras e conteúdos hostis.

Principais formas de violência digital

Entre os tipos mais comuns: mensagens ofensivas ou ameaçadoras enviadas repetidamente; invasão de contas e dispositivos pessoais; e disseminação de mentiras ou conteúdos falsos em redes sociais — agressões relatadas por milhões de mulheres.
Houve, ainda, aumento — em relação à pesquisa anterior — no uso de fotos ou vídeos íntimos para chantagear a vítima.

Quem são as vítimas mais afetadas

Mulheres jovens, de 16 a 29 anos, concentram maior parte dos relatos. Nessa faixa etária, 15% afirmaram ter sofrido violência digital — bem acima da média nacional de 10%.

Impacto prático no cotidiano e no mercado jurídico

Para advogados especializados em direito digital e proteção de dados, esses números elevam o volume de demandas relacionadas a injúria, difamação, danos morais, proteção de dados pessoais e cibersegurança. Empresas devem repensar políticas de segurança digital e canais internos de denúncia.

Riscos e desafios de responsabilização

Muitos crimes virtuais — como invasão de conta, exposição de dados ou difamação — esbarram na dificuldade de rastrear autores, além de vazios institucionais: demora nas investigações, fragilidade de provas digitais, subnotificação.

Orientações práticas

  • Advogados e empresas devem adotar políticas de compliance digital, orientar colaboradores e clientes sobre privacidade e segurança online.

  • Escritórios devem estar prontos para atuar em casos de violência digital — tanto como apoio jurídico quanto como prevenção.

  • Incentivar canais seguros de denúncia: delegacias especializadas, delegacias virtuais, ou o serviço gratuito SaferNet Brasil.

Cenários e o que esperar no futuro

Com a popularização crescente das redes sociais e das interações digitais, a violência online tende a crescer. Sem respostas legais e institucionais eficazes, o combate dependerá de advocacia preventiva, educação digital e fortalecimento de canais de denúncia.

A violência digital não é um problema marginal — atinge milhões de mulheres e revela lacunas graves na proteção de direitos. Profissionais e empresas devem se mobilizar: revisão de políticas internas, compliance digital e atuação jurídica preventiva podem fazer a diferença. Se você quer saber como montar um protocolo jurídico-digital para proteger clientes ou colaboradores, entre em contato.